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18 abril/2017

Ras Tafari, o imperador da Etiópia que influenciou Bob Marley e foi adorado como deus na Jamaica

O rei do reggae, Bob Marley, foi o grande difusor do movimento rastafári e é, provavelmente, a primeira lembrança de muitas pessoas quando se fala sobre o assunto. O que muitos não sabem é que há outro homem ainda mais importante neste movimento. Ras Tafari ou Haile Selassie – nome adotado após ser coroado – foi o último imperador da Etiópia e, para os rastafáris, ele é nada menos do que Deus (Jah) encarnado. Mas como o imperador da Etiópia, localizada a quase 13 mil quilômetros de Kingston tornou-se adorado na Jamaica?

O vínculo entre os dois está relacionado à classe trabalhadora e camponeses jamaicanos que, através de interpretação de uma profecia bíblica, acreditavam que a coroação de Ras Tafari simbolizava a ascensão do Deus redentor, o messias: o “Rei dos reis, Senhor dos senhores”. Eles acreditavam que seriam libertados pelo imperador, que os tiraria da pobreza no Caribe e os levaria à África, terra dos seus antepassados e um centro espiritual para os jamaicanos.

Quem foi Ras Tafari?
Nascido em 23 de julho de 1892, Tafari era filho de um colaborador do imperador Menelik II, um dos governantes mais importantes da história da Etiópia. Em 1911, casou-se com Wayzaro Mezen, uma das filhas do imperador, tornando-se assim príncipe (Ras, em aramaico). Desde pequeno, a inteligência de Tafari chamou a atenção do imperador, que foi o seu mentor na carreira política. Após o falecimento da imperatriz Zauditu, filha de Menelik II, Tafari foi coroado imperador em 1930.

O evento de coroação contou com a presença de autoridades do mundo todo e chamou a atenção pela exuberância e quantia possivelmente investida na cerimônia: mais de US$ 3 milhões (R$ 9,5 milhões, em valores atuais). O imperador foi capa da Revista Times, transformando-se em fenômeno mundial.

Em um de seus primeiros atos como imperador, Selassie encomendou a primeira constituição escrita da Etiópia, que restringia em grande medida os poderes do parlamento. Na prática, ele era o governo da Etiópia.
Segundo a constituição, a sucessão ao trono se restringia somente aos seus descendentes, e a pessoa do imperador era “sagrada, sua dignidade, inviolável e seu poder, indiscutível”. Enquanto isso, na Jamaica, Haile Selassie estava se tornando algo muito maior do que um poderoso imperador.

A profecia
“Olhem para a África, onde um rei negro vai ser coroado, anunciando que o dia da libertação estará próximo”. Feita pelo jamaicano Marcus Garvey, essa é a profecia que deu início a toda história do movimento rastafári. Marcus foi um ativista jamaicano que lutou pela mudança política e social em uma ilha que havia sido um centro importante durante o período da escravidão. Depois da abolição, em 1833, a vida não melhorou muito para os antigos escravos, nem para seus filhos ou para as gerações seguintes.

Até hoje não ficou evidente se o “rei negro” a quem Garvey se referia era uma pessoa real ou figura simbólica, mas, quando as notícias da coroação de Haile Selassie chegaram à Jamaica, muitos dos seguidores de Garvey associaram ao que lhes parecia lógica: Ras Tafari era rei, e, portanto, o dia da libertação estaria próximo. Apesar de Garvey nunca ter sido um rastafári, ele é considerado um dos profetas do movimento, e suas ideias são a base da filosofia rastafári.

Atualmente, as crenças dos rastafáris são muito diferentes. Hoje, o movimento rastafári é mais um estilo de vida do que uma religião, e suas as práticas variam muito. Entre elas, se destacam o consumo ritual da maconha (ganja) e o reggae.

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