A história do japonês que continuou lutando na II Guerra Mundial por 29 anos após seu término
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A história do japonês que continuou lutando na II Guerra Mundial por 29 anos após seu término

Hiroo Onoda foi um bravo soldado japonês. Descendente de uma longa família de guerreiros, ele se alistou no Exército Imperial do Japão aos 18 anos, um ano antes de seu país entrar em guerra contra os Estados Unidos após o ataque a Pearl Harbor. Designado para defender seu país, lutou na II Guerra Mundial até 9 de março de 1974, 29 anos após o fim do conflito.

Hiroo Onoda foi um bravo soldado japonês. Descendente de uma longa família de guerreiros, ele se alistou no Exército Imperial do Japão aos 18 anos, um ano antes de seu país entrar em guerra contra os Estados Unidos após o ataque a Pearl Harbor. Designado para defender seu país, lutou na II Guerra Mundial até 9 de março de 1974, 29 anos após o fim do conflito.
Soldado japonês Hiroo Onoda, em março de 1974, após receber ordem de rendição.

O Japão estava quase perdendo a guerra quando a tropa de Hiroo Onoda foi enviada para a pequena ilha de Lubang (Filipinas) em 1944, seguindo a ordem de seu comandante de que protegessem o local de ataques e não se rendessem de maneira alguma. No local, o soldado japonês utilizou uma tática que aprendera durante seus treinamentos, infiltrando-se na floresta e utilizando técnicas de guerrilha para atacar os adversários.

Com mais três combatentes, o soldado Yūichi Akatsu, o cabo Shōichi Shimada e o soldado de primeira classe Kinshichi Kozuka, Onoda colocou sua estratégia em prática, perdendo o contato com seus comandantes.

Assim que o Japão se rendeu e a II Guerra Mundial terminou, o governo dos Estados Unidos fez um grande trabalho para encontrar os soldados escondidos nas florestas das Filipinas, com avisos em rádios e o lançamento de folhetos por aviões sobre a mata. Tudo em vão.

Quatro anos mais tarde, em 1949, o soldado Yūichi Akatsu decidiu se afastar do grupo e viveu sozinho por seis meses antes de se render ao Exército das Filipinas em março de 1950. Encontrado, o japonês informou às autoridades que seus companheiros acreditavam que a guerra continuava e que não se renderiam tão facilmente.
Folheto lançado pelo exército dos Estados Unidos para encontrar o soldado japonês.

Quatro anos mais tarde, em 1949, o soldado Yūichi Akatsu decidiu se afastar do grupo e viveu sozinho por seis meses antes de se render ao Exército das Filipinas em março de 1950. Encontrado, o japonês informou às autoridades que seus companheiros acreditavam que a guerra continuava e que não se renderiam tão facilmente.

As duas décadas seguintes foram difíceis para Hiroo Onoda. Em 1954, quase dez anos após o fim da II Guerra Mundial, o cabo Shōichi Shimada foi baleado por um grupo que procurava o grupo, já considerado criminoso e fugitivo. Em 1972, seu último aliado, o soldado de primeira classe Kinshichi Kozuka, também foi baleado pela polícia das Filipinas. Solitário, o soldado japonês vivia uma guerra de uma homem só contra o governo filipino.

Neste momento, todos no Japão conheciam a história de Hiroo Onoda e acompanhavam todas as notícias a seu respeito. Em 1974, o aventureiro japonês Norio Suzuki decidiu dar uma volta ao mundo com o objetivo de ver “o tenente Onoda, um panda e o Abominável Homem das Neves, nessa ordem”. Ele viajou para as Filipinas e encontrou Hiroo Onoda na mata da ilha de Lubang, onde desembarcou 29 anos antes. Conversando com o velho soldado, o japonês descobriu que ele só se renderia se fosse dispensado por um oficial superior.

Neste momento, todos no Japão conheciam a história de Hiroo Onoda e acompanhavam todas as notícias a seu respeito. Em 1974, o aventureiro japonês Norio Suzuki decidiu dar uma volta ao mundo com o objetivo de ver "o tenente Onoda, um panda e o Abominável Homem das Neves, nessa ordem". Ele viajou para as Filipinas e encontrou Hiroo Onoda na mata da ilha de Lubang, onde desembarcou 29 anos antes. Conversando com o velho soldado, o japonês descobriu que ele só se renderia se fosse dispensado por um oficial superior.
O aventureiro japonês Norio Suzuki com o soldado Hiroo Onoda, em 1974.

Com esta informação, Norio Suzuki retornou ao Japão e comunicou a condição de Hiroo Onoda ao Exército Japonês, que localizou o comandante de Onoda, o major Yoshimi Taniguchi, que se tornara livreiro. Enviado para a ilha de Lubang em 9 de março de 1974, o comandante dispensou o soldado Onoda de suas funções e ordenou sua rendição, 29 anos após o fim da II Guerra Mundial.

Assim que recebeu a ordem, entregou sua espada e seu rifle de ferrolho Arisaka, a arma padrão do Exército japonês, que conservava em perfeito estado, e saudou a bandeira de seu país. Em outra cerimônia, apresentou sua espada ao presidente das Filipinas em um ato de rendição e foi perdoado por seus crimes contra o Estado.

Assim que recebeu a ordem, entregou sua espada e seu rifle de ferrolho Arisaka, a arma padrão do Exército japonês, que conservava em perfeito estado, e saudou a bandeira de seu país. Em outra cerimônia, apresentou sua espada ao presidente das Filipinas em um ato de rendição e foi perdoado por seus crimes contra o Estado.
Hiroo Onoda apresenta sua espada ao presidente das Filipinas em um ato de rendição.

No retorno ao Japão, Onoda foi recebido como herói, mas nunca aceitou as condições impostas ao seu país após a II Guerra Mundial. Em 1975, mudou-se para o Brasil, onde viveu em uma fazenda criando gado. Anos mais tarde, decidiu retornar ao Japão novamente para que seus filhos se conectassem com os costumes locais.

Hiroo Onoda faleceu em janeiro de 2014, aos 91 anos de idade, de insuficiência cardíaca. Apesar da longa resistência, o soldado não foi o último combatente a se render após o fim da II Guerra Mundial. Nascido em Taiwan, o também soldado do Exército japonês Teruo Nakamura seguiu em combate nas selvas da Indonésia até o fim de 1974, seu feito tendo sido registrado no livro Guinness World Records de 2010 como o “último veterano da Segunda Guerra Mundial a se render”.

Soldado Hiroo Onoda é recebido como herói no seu retorno ao Japão.



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