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Cama encontrada em estacionamento pode ter pertencido ao rei Henrique VII

Móveis antigos são comumente encontrados em briques e lojas especializadas. Comprar e vender mobiliário é uma das especialidades do inglês Ian Coulson. Acostumado a restaurar esses artigos com mais idade, encontrou em uma de suas aquisições rotineiras, uma cama que pertenceu à família real britânica. Só este fato já valeria uma ótima história e alguns cliques em sites locais, mas o que ninguém esperava era que o objeto tivesse pertencido ao rei Henrique VII, que governou a Inglaterra de 1485 a 1509.

Coulson comprou o objeto por 2200 libras em 2010. À época, pensou “que fosse um exemplo supremo do movimento Artes e Ofícios”, como falou em entrevista para a revista National Geographic. Porém, quando parou para examinar tudo com calma, percebeu que alguns detalhes entalhados pareciam ter sido esculpidos com ferramentas manuais medievais e que o estado de conservação estava bem abaixo do esperado para um artigo com 150 anos. O inglês ainda descobriu que a cama foi usada em um hotel e abandonada num estacionamento em Chester, na Inglaterra.

Para descobrir a real idade da cama, Coulson reuniu um grupo de especialistas. Nove anos após a compra do objeto, descobriu-se que o móvel foi encomendado em 1486 para o casamento do rei Henrique VII com Elizabeth de York, união que deu fim à Guerra das Rosas, conflito civil que durou quase trinta anos. Os detalhes, talhados em madeira, são brasões reais e rosas que simbolizavam as famílias dos noivos, levando a crer que a peça tenha mais de 500 anos.

O historiador Jonathan Foyle, que participou do grupo de pesquisa, diz que a cama tem “os brasões reais, a cruz de São Jorge, as rosas das casas de Lancashire e York, símbolos de fertilidade, como a bolota (fruto do carvalho). Quem quer que tenha esculpido isso, tinha uma compreensão profunda da iconografia da época. É difícil imaginar alguém vindo depois que esculpisse essa cabeceira e simplesmente acertasse tudo”. Especialistas dizem que não há conhecimento de nenhum móvel da época do rei Henrique VII e que se for comprovada a identidade da cama, será uma raridade única.



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