Jovem de 18 anos pedalou de Salvador a Nova York em 1929
Museu holandês transmite ao vivo processo de restauração de obra de arte
31 de julho de 2019
#TBTraduzca: traduzindo as ideias de grandes nomes da tecnologia e do comportamento
2 de agosto de 2019

Jovem de 18 anos pedalou de Salvador a Nova York em 1929

Seguidamente falamos aqui no blog da Traduzca sobre os prazeres de viajar. Já publicamos dicas sobre viagens de avião, trem, ônibus, navio… todas as formas possíveis de conhecer outra cidade, estado ou país. Mas a história que contamos hoje é um pouco diferente do usual. Em 1927, um baiano de apenas 18 anos de idade decidiu que conheceria Nova York, a maior metrópole do mundo. Sabe o que o jovem Rubens Pinheiro fez para realizar seu sonho? Pegou sua bicicleta e saiu em direção ao seu destino.

A jornada começou no dia 15 de março de 1927. A bordo de sua bicicleta alemã Opel e vestindo roupas de escoteiro, Rubens Pinheiro despediu-se de sua família e foi para a sede do jornal Diário de Notícias, onde uma multidão o aguardava. Uma festa com direito a fogos de artifício e cobertura da imprensa local deu início ao projeto de conhecer a cidade de Nova York, nos Estados Unidos. O início do trajeto foi acompanhado por uma centena de ciclistas de Salvador e arredores.

Durante a viagem, Rubens Pinheiro anotou todas as histórias vividas em um caderno feito especialmente para a jornada, com capa de couro de cobra. Em uma das primeiras páginas, o baiano diz estar “disposto a tudo, inclusive a passar sede e fome, sofrer aborrecimentos, raspar sustos (e que Deus me livre das suçuaranas e das jararacas!), carregar a bicicleta nas costas. Quero conhecer Nova York sem ser em fotografia”, declarou. Passou pelo interior de seu estado natal, por Pará, Roraima, Venezuela, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, México e, finalmente, Estados Unidos, sempre fazendo novos amigos e relatando as aventuras.

Após dois anos pedalando, Rubens Pinheiro chegou a Nova York às 14h do dia 1º de abril de 1929. No livro, escreveu que concedeu entrevistas para a imprensa local dizendo que “agora estou quebrado. É bom ver Nova York! É bonita, mas tão grande! Eu vou voltar ao Brasil tão logo eu possa rodar e ver a cidade”. Retornou ao seu país de origem a bordo do navio Southern Cross com a esperança de ser recebido com honras de herói por fãs e autoridades, mas nada disso aconteceu. O baiano faleceu em 1981, aos 71 anos, sem o reconhecimento esperado e sem que sua história fosse narrada pelos livros de história.