Livreiro salva manuscritos de 800 anos no Mali, na África
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Livreiro salva manuscritos de 800 anos no Mali, na África

Um herói anônimo em meio a um cenário de guerra. Um herói que não pega em armas. Esse herói salva a memória de um continente. O livreiro e bibliotecário Abdel Kader Haidara (foto), da cidade de Timbuktu, no Mali, liderou uma operação preventiva de retirada de uma coleção que conta com manuscritos raros e cerca de 250 mil exemplares de livros, ao lado de outros colegas de profissão. Ele não quis esperar até que uma guerra entre o governo e radicais islâmicos fosse deflagrada em seu país. Assim, conservou viva uma parte da história africana.

O que Haidara fez foi transportar essa coleção para um local seguro. Ele e outros livreiros conseguiram levar cerca de 80% do acervo do Instituto Ahmed Baba até Bamako, capital do Mali. O deslocamento de cerca de 700 quilômetros entre uma cidade e outra teve o requinte de filmes de espionagem. Os carros foram disfarçados como se fossem de frete de frutas e verduras, e a gasolina foi custeada pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.

A operação da retirada das obras (manuscritos e pergaminhos, alguns com cerca de 800 anos) foi tão profissional que o prefeito de Timbuktu sequer soube o que houve com o acervo. Para ele, os manuscritos haviam sido queimados.

A localidade de Timbuktu é considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como patrimônio mundial da humanidade desde 1988. A cidade é um centro comercial e cultural africano há quase um milênio. O Mali se tornou independente da França em 1960. Por ter sido colônia, o idioma oficial é o francês.



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