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Mecanismo grego encontrado no mar é a tecnologia mais antiga do mundo

O mecanismo estava a 42 metros de profundidade em um navio romano naufragado em solo grego há mais de dois mil anos.

O mecanismo estava a 42 metros de profundidade em um navio romano naufragado em solo grego há mais de dois mil anos.

O mecanismo estava a 42 metros de profundidade em um navio romano naufragado em solo grego há mais de dois mil anos.

Há mais de 100 anos, quando mergulhadores procuravam esponjas marinhas na ilha de Anticítera, no sul da Grécia, eles não sabiam o que encontrariam. O que acharam no fundo do mar foi nada menos do que o objeto tecnológico mais antigo do mundo, uma espécie de computador rudimentar datado de 87 a.C.

O mecanismo estava a 42 metros de profundidade em um navio romano naufragado há mais de dois mil anos. De início, as peças danificadas, após anos no mar, ficaram esquecidas. Mas, em seguida, um olhar mais atento mostrou que eram objetos feitos com esmero, com engrenagens talhadas à mão. Entre belas estátuas de cobre e mármore, que estavam dentro do navio,  se encontrava o objeto mais intrigante da história da tecnologia. Trata-se de um instrumento de bronze corroído, do tamanho de um laptop moderno, e que ficou conhecido como mecanismo de Anticítera.

Apesar de a descoberta dos fragmentos ter ocorrido em meados de 1901, somente em 1950, o físico inglês Derek John de Solla Price analisou os detalhes dos 82 fragmentos recuperados. O cientista verificou que o número de ranhuras contidas nas rodas do mecanismo, 127 e 235,  indica que o objeto era utilizado para seguir o movimento da Lua. Isso porque os 19 anos solares são exatamente 235 meses lunares, sendo que o outro número indica os movimentos da Lua ao redor da Terra. As fases da Lua eram extremamente úteis na época dos gregos antigos. Com base nelas, determinavam-se épocas de plantio, estratégias de batalha, festas religiosas e momentos de pagar dívidas.

A fim de saber mais sobre a peça, o cientista capturou com raios-X e raios gama, em parceria com o físico nuclear grego Charalampos Karakalos, imagens das peças. Elas mostraram como o mecanismo era complexo: tinha 27 rodas de engrenagem no seu interior. Com isso, foi encontrado outro número importante: 223. O número estava grifado em outra roda do mecanismo e era uma peça chave pois, por volta de 600 a.C., astrônomos babilônios antigos descobriram o ciclo de Saros, no qual a Lua e a Terra voltavam a se encontrar a cada período de 223 luas, o que previa a ocorrência de eclipses. O mecanismo, portanto, podia prever eclipses. Não apenas o dia, mas a hora, a direção da sombra e a cor com a qual a Lua apareceria.

Os cientistas não sabem ao certo quem criou o objeto. As suspeitas, no entanto, são de que o matemático mais famoso da Grécia Antiga, Arquimedes, tenha sido o responsável pelo primeiro computador rudimentar do mundo. O cientista estava na região quando os romanos conquistaram a Grécia. Além disso, o maior indício está em uma descrição que o orador Cícero fez, séculos depois, de uma das máquinas de Arquimedes. Segundo o filósofo grego, “Arquimedes encontrou a maneira de representar com precisão, em apenas um aparato, os variados e divergentes movimentos dos cinco planetas com suas distintas velocidades, de modo que o mesmo eclipse ocorre no globo e na realidade”.

A região onde foi encontrado o mecanismo foi saqueada e seus tesouros foram enviados a Roma. As investigações anteriores apontaram que a máquina estava dentro de uma caixa de madeira que não sobreviveu ao tempo. “É um pouco intimidador saber que, logo antes da queda de sua grande civilização, os gregos antigos tinham chegado tão perto de nossa era, não apenas em pensamento, mas na tecnologia científica”, disse Derek Price.

Hoje, o objeto original está exposto ao público no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, acompanhado de uma réplica. Outra réplica está exposta no Museu Americano do Computador, nos Estados Unidos.